quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Fraude em bombas desvia R$ 248 milhões por ano em São Paulo, FSP

 

São Paulo

Fraudes volumétricas em bombas de combustíveis podem desviar R$ 248 milhões por ano em postos de gasolina no estado de São Paulo.

Equipamentos eletrônicos inseridos nas placas das bombas de combustíveis podem reduzir, em média, 10% do volume entregue para os clientes, segundo estimativa do ICL (Instituto Combustível Legal).

A imagem mostra uma bomba de combustível em um posto de gasolina. Uma mão está pressionando um botão na bomba, enquanto as mangueiras de abastecimento estão visíveis, com uma delas destacada em verde e outra em amarelo. Ao fundo, é possível ver um carro estacionado.
Posto Petrobras, José Maria Lisboa, na Av. Nove de Julho, Jardim Paulista - Rafaela Araújo/Folhapress

Se considerado o preço médio da gasolina C em torno de R$ 5,80 por litro na capital paulista, a perda direta seria de aproximadamente R$ 29 a cada abastecimento de 50 litros.

O estudo estima que cerca de 216 estabelecimentos, isto é, 2,5% dos postos do estado de São Paulo, adotam práticas do tipo. Com isso, volumes na ordem de 119 mil litros diários deixariam de ser entregues ao consumidor.

Além das fraudes, os consumidores enfrentam variações nos preços dos combustíveis.

Preços dos combustíveis

Na última semana de janeiro, a Petrobras anunciou o corte de 5,2% no preço da gasolina vendida por suas refinarias. O valor passou a R$ 2,57 por litro, uma queda de R$ 0,14 em relação ao preço anterior.

A medida chega aos poucos às bombas. O preço do combustível para o consumidor já estava pressionado desde o início do ano pelo aumento de R$ 0,10 por litro na alíquota do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), que foi integralmente repassado ao consumidor.

Desde 2022, o ICMS é unificado no país e reajustado uma vez por ano pelos estados. Em 2026, a alíquota subiu para R$ 1,57 por litro, apesar da queda do preço da gasolina nas refinarias.


Ruy Castro De Gardel a Montiel, Ruy Castro -FSP

 Correndo o risco de perder leitores pelo sincericídio, confesso que, até há 30 dias, se me falassem em Bad Bunny eu pensaria estar ouvindo uma referência a Bugs Bunny, o coelho dos gibis que, no Brasil, se chamava Pernalonga. Só então fiquei sabendo do cantor porto-riquenho que peitou para valer Donald Trump num jogo de futebol americano em defesa dos imigrantes e, embora sem ouvi-lo, fiquei seu fã. Leio agora que Bad Bunny cantou em São Paulo e, pelos comentários, fará com que nós, brasileiros, percamos nossa "histórica má vontade contra os artistas da América Latina".

Mas haveria essa má vontade e seria tão histórica? Pelo que sei, o argentino Carlos Gardel foi tão querido no Brasil quanto em todas as Américas, e seus tangos, como "Uno", "Mano a Mano" e "El Dia que me Quieras", continuaram a ser ouvidos aqui por décadas depois de sua morte, em 1935. Aliás, nas mesmas vitrolas em que rodava a orquestra de Francisco Canaro, e posso quase apostar que foi num
78 rpm de Canaro que Caetano Veloso aprendeu a letra do mortífero tango "Cambalache", que gravou em 1969.

E os boleros, coqueluche nacional com os mexicanos Agustín Lara, Pedro Vargas, Gregorio Barrios, Tito Guizar, Libertad Lamarque, Elvira Rios e o Trio Los Panchos, o cubano Bienvenido Granda e o chileno Lucho Gatica? E a rumba, com Xavier Cugat e os Lecuona Cuban Boys? E o mambo, com Perez Prado? E a incrível (pela extensão de voz) peruana Yma Sumac? E Sarita Montiel, que, como se não bastasse, cantava?

LPs nacionais de 10 polegadas dos anos 1950 com artistas latino-americanos
LPs nacionais de 10 polegadas dos anos 1950 com artistas latino-americanos - Heloisa Seixas

O próprio Brasil também produzia tudo isso, e bem. A Românticos de Cuba, sucesso internacional, era a Orquestra Tabajara de Severino Araújo sob pseudônimo. Nelson Gonçalves e Dalva de Oliveira gravaram dezenas de tangos em espanhol; o Trio Irakitan e Altemar Dutra idem, com os boleros; e até Elis Regina, recém-chegada do Sul e aspirando à capa da Revista do Rádio, estourou com o cha-cha-cha "Las Secretarias".

Dos anos 1920 a 1970, a América Latina fazia parte da cultura brasileira. Só não era chamada por esse nome.

Brasil precisará dobrar produtividade da cana para atender nova era do etanol - EIXOS

 O consumo de etanol no Brasil pode mais do que dobrar até 2040, em meio a uma demanda aquecida em setores que vão além dos veículos leves, projeta um estudo publicado nesta terça (4/11).

 
Elaborado pela LCA Consultores por encomenda do Instituto MBCBrasil, o relatório (.pdf) aponta que o etanol servirá como insumo para combustível sustentável de aviação (SAF, em inglês), além de abastecer navios, caminhões off-road e máquinas agrícolas. 
 
O que fará a demanda atual, calculada em 33,6 bilhões de litros, saltar para 72,5 bilhões de litros em 2040, em um cenário base de substituição de combustíveis fósseis, podendo alcançar 81,3 bilhões de litros no mesmo período, no cenário alternativo.
 
Neste último, o estudo considera maior participação do biocombustível na navegação, no lugar do metanol.
 
A transição dos transportes aéreo e marítimo, onde a eletrificação ainda é inviável, é nova fronteira de biocombustíveis brasileiros, como etanol e biodiesel, para ampliar sua demanda, hoje atrelada ao modal rodoviário.
 
Uma agenda abraçada pelo governo Lula (PT), que levará à COP30, em Belém (PA), a proposta de um compromisso para quadruplicar produção e consumo de combustíveis sustentáveis até 2035 — incluindo também os derivados de hidrogênio.
 
Mas suprir esta demanda será desafiador. De acordo com o relatório do MBCBrasil, no caso do etanol, será necessário investir em inovações para dobrar a produtividade da cana de açúcar no período. E sem desmatar.
 
Mesmo com um crescimento exponencial na produção a partir do milho, a estimativa, para o cenário base, é que a oferta total do biocombustível (cana + milho) alcançará 58,3 bilhões de litros em 2040.
 
Já no cenário alternativo, considerando o dobro de etanol de primeira geração de cana, e o de milho alcançando 25 bilhões de litros, a oferta pode chegar a 79,6 bilhões de litros no período.