quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Linha 17-Ouro do Metrô passará pela Imigrantes

 extensão da Linha 17-Ouro (São Paulo Morumbi-Jabaquara) para Diadema vai margear a Rodovia dos Imigrantes, passar pela Avenida Conceição, na Vila Élida, e encerrar no Terminal Diadema, no Centro. Com 5,6 quilômetros, o trajeto que terá como modal o monotrilho vai demandar R$ 1,4 bilhão de investimento.

A definição da ligação de Diadema com a rede metroviária e os valores envolvidos foram discutidos ontem à tarde em reunião do prefeito Lauro Michels (PV), da deputada estadual Regina Gonçalves (PV) e do titular de Transportes de Diadema, José Carlos Gonçalves (PR), com o secretário estadual de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, e o presidente do Metrô, Luiz Antonio Pacheco.
Das seis paradas acertadas ontem, duas ficarão em Diadema, uma na Vila Élida e a do Terminal Diadema. Uma estação será construída ao lado do Centro de Exposição Imigrantes. Os bairros paulistanos Vila Encontro, Vila Fachini e Vila Clara receberão os demais pontos.

A Linha 17-Ouro terá início no bairro do Morumbi, passando em frente ao Estádio do São Paulo e desembocará na Estação Jabaquara, com integração na Linha 1-Azul. O trajeto também oferecerá interligação com o Aeroporto de Congonhas. Serão 18 estações, com custo estimado em R$ 3,2 bilhões (recursos do governo do Estado, da prefeitura de São Paulo e empréstimo da União) e previsão de entrega em 2016.

A interligação de Diadema com a rede de Metrô foi garantida pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) em outubro, em visita oficial ao Grande ABC.

Outros dois percursos estavam em análise na Secretaria de Estado de Transportes Metropolitanos e do Metrô. Um era aproveitando o modal de trólebus do Corredor Diadema-Brooklin, mas a hipótese foi rechaçada para não sobrepor o sistema já existente. A outra era atravessando o bairro Jabaquara, perto do Jardim Zoológico, passando pelo Jardim Campanário, porém, a alternativa foi descartada pelo alto impacto urbano e pelo alto valor em desapropriações.

“O trajeto pela Rodovia dos Imigrantes tem baixo impacto ambiental, pouca necessidade de desapropriações e se encaixa na linha política do PV de preservação do meio ambiente”, declarou Regina.

Secretário de Transportes de Diadema, José Carlos adiantou que, assim que houver publicação oficial do percurso da Linha 17-Ouro em Diadema, haverá remodelação do sistema de ônibus na cidade. “Vamos abastecer os terminais do monotrilho que ficarem em Diadema. Deixaremos as empresas (Mobibrasil e Benfica) avisadas sobre a possibilidade de adequação das linhas municipais de transporte coletivo.”

*Fonte: Diário da Grande ABC

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

É tempo de religar os motores da mineração, por Arnaldo Jardim


O substitutivo apresentado pelo relator da comissão especial do Congresso encarregada de analisar o projeto de lei (PL) do novo marco regulatório da mineração é, sem dúvida, um grande alento para o setor.
Ao abandonar o caráter estatizante e intervencionista que empresta contornos ao PL do Executivo, o texto, sob a relatoria do deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG), trouxe ares de modernidade e possibilitará vultosos investimentos na mineração. A sua aprovação pode se traduzir em verdadeiro divisor de águas no setor mineral.
A eleição do protagonismo privado para a pesquisa mineral, a possibilidade de oferecimento dos títulos minerários como garantia, as regras de transição que respeitam o direito adquirido, a fixação das alíquotas da CFEM (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais) por lei, a criação de mecanismos de financiamento, dentre outros, constituem elementos que muito vão colaborar para que o setor recupere o tempo perdido. Afinal, foram grandes as perdas com a insegurança gerada pelo Executivo com a falta de rumo das discussões sobre o novo marco regulatório e, em especial, com a ilegal moratória imposta há mais de um ano.
Nesse contexto, há que se observar que o desenvolvimento do setor depende de diversos fatores, alguns influenciados pelo Estado e outros não. Assim, enquanto o potencial geológico, a demanda internacional e mesmo o posicionamento geográfico são fatores que estão fora do controle de qualquer nação, outros aspectos, de clara ingerência estatal, são fundamentais para a análise dos investimentos. A forma como o governo conduz a regulação do setor, o grau de intervenção estatal, a discricionariedade empregada nas decisões e o cumprimento das regras estabelecidas são determinantes no processo decisório dos investidores.
Há que se notar que países de origem anglo-saxônica tenderam a desenvolver sistemas jurídicos regulatórios atrativos aos investimentos. Assim, a Austrália e o Canadá, por exemplo, se tornaram referência internacional. Por outro lado, os países onde há forte intervenção estatal e existem políticas discricionárias tendem a ser menos atrativos e, consequentemente, a afugentar investimentos.
O que se nota no substitutivo são os clamores e necessidades do setor. Frise-se que o Legislativo deu uma lição ao Executivo no que diz respeito à forma de conduzir assuntos relevantes. Isso porque a comissão especial conseguiu, em prazo recorde, apresentar um substitutivo harmônico com a necessidade do setor e, ao mesmo tempo, alinhado com as melhores práticas internacionais.
Em verdadeiro "passo de bêbado", o governo gestou por quatro anos um projeto casuísta e trôpego, repudiado por todo setor e a sociedade civil, causando, ao mesmo tempo, estragos drásticos com a sua ilegal atuação intervencionista.
Merece especial destaque no substitutivo a extinção do sistema de chamadas públicas proposto pelo governo, verdadeira jabuticaba que só tendia a burocratizar o dia a dia do setor, nada agregando. A premiação do esforço privado com contratos de concessão se mostra em consonância com a premissa de first come first served ("primeiro a chegar, primeiro a servir-se"), de ampla adoção internacional e que devolve ao setor privado o protagonismo do setor.
O estabelecimento de multas mais pesadas para empresas que não derem a destinação correta aos títulos também parece acertada, visto que repudia a especulação, sem prejudicar os profissionais e as empresas sérias que visam desenvolver a atividade. Mostrar-se-á essencial, no entanto, a rígida fiscalização. Além disso, a modulação de taxas e multas de acordo com o tamanho da empresa demonstra a compreensão das diferentes realidades da atividade mineral, que envolve desde empresas bilionárias até pequenos empreendedores individuais.
Em relação às licitações, o enquadramento do Estado a prazos impedirá a estagnação do setor em função da inércia estatal, fonte de constantes críticas nos setores de energia elétrica e petróleo.Também o estabelecimento de prazo mínimo para a decisão em relação à renovação dos contratos evitará as sensíveis questões vivenciadas por arrendatários portuários e de energia elétrica. Nota-se, portanto, uma compreensão e sensibilidade dos grandes dilemas de outros setores e uma consequente antecipação das respostas, de forma a estabelecer regras claras e justas, facilitando a atração de investimentos.
O estabelecimento das alíquotas da CFEM em lei - e não por decreto - é um alento e se traduz em fator de estabilidade para empresas e entes públicos, que não mais ficarão à mercê dos humores do Executivo federal. A criação de mecanismos de securitização de recebíveis, assim como a possibilidade de oneração do direito minerário para financiamento são medidas que merecem aplausos e vêm ao encontro dos anseios e necessidades do setor. Também a composição mista do Conselho Nacional de Política Mineral, com integrantes do setor produtivo é louvável, uma vez que afasta o risco de composição "chapa branca", meramente homologatório.
Vale notar que o projeto apresentado pela comissão especial não é importante apenas para a mineração, já que o bom andamento do setor pode ser essencial ao desenvolvimento dos pacotes de infraestrutura tão falados pelo governo. Isso porque, ao propiciar segurança jurídica e protagonismo privado na mineração, atividade de longo prazo e intensa em capital, tal como a infraestrutura, demonstra claramente que um ato vale muito mais do que dezenas de declarações do governo.
Além disso, o desenvolvimento de projetos minerários é essencial para garantir a carga necessária à implantação de diversos projetos previstos nos pacotes bilionários do governo para a infraestrutura, em especial os ferroviários e portuários. O que se conclui, assim, é que aprovar o substitutivo proposto pelo relator Leonardo Quintão pode se traduzir em colocar o setor, novamente, nos trilhos da modernidade, garantindo competitividade e atração de investimentos.
Valor Econômico - 26/11/2013 - Bruno Feigelson e Marcello R. Lima Filho

PIB, mais uma vez , para baixo...

Agronegócio e investimentos despencam; PIB recua 0,5% no 3º trimestre, diz IBGE

Arte/Estadão


PIB do País recuou 0,5% no 3º trimestre em relação aos três meses anteriores

03 de dezembro de 2013 | 9h 25
Economia & Negócios
SÃO PAULO - Diferentemente do segundo trimestre - quando a forte expansão do PIB foi destaque em termos de crescimento econômico na comparação com outros países -, desta vez o Brasil foi um dos poucos países a registrar retração na economia no terceiro trimestre. O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) entre julho e setembro foi o menor entre os países levantados na divulgação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No período, a economia brasileira recuou 0,5% em relação ao 2º trimestre.
Além do Brasil, apenas França e Itália, com a mesma queda de 0,1% no PIB do terceiro trimestre ante o segundo, registraram retração.
O destaque de crescimento numa lista preparada pelo IBGE foi a Coreia do Sul, com expansão de 1,1% no terceiro trimestre ante o período imediatamente anterior. Na América Latina, o México registrou avanço de 0,8%, na mesma base de comparação.
Na Europa, registraram avanço no PIB o Reino Unido (0,8%) e a Alemanha (0,3%). A União Europeia como um todo registrou avanço de 0,2% no terceiro trimestre.
Na comparação com os BRICs, outras grandes economias emergentes, o Brasil teve o terceiro maior crescimento. Com esses países, no entanto, só há comparação na base do terceiro trimestre ante o mesmo trimestre do ano anterior. O crescimento de 2,2% no PIB do Brasil ficou abaixo dos 7,8% da China e dos 4,8% da Índia. África do Sul cresceu 1,8% e a Rússia, 1,2%.
Entre os PIBs per capita, o Brasil teve o segundo maior resultado (US$ 12,1 mil). Apenas a Rússia registrou PIB per capita acima do brasileiro (US$ 17,7 mil). África do Sul (US$ 11,3 mil), China (US$ 9,1 mil) e Índia (US$ 3,9 mil) ficaram com resultado abaixo.
(Mônica Ciarelli, Idiana Tomazelli, Daniela Amorim e Vinicius Neder , da Agência Estado)