domingo, 1 de novembro de 2026

Tarcísio de Freitas entrou na disputa pela Presidência- Elio Gaspari, FSP

 Como era de se prever, o governador Tarcísio de Freitas entrou na disputa pela Presidência em 2030, sem fanfarra e com cautela, e disse o seguinte na quarta-feira (28):

"A gente tem que ver qual é o cenário do momento e, claro, vou estar terminando o segundo mandato aqui no estado de São Paulo. Terminando bem o segundo mandato, obviamente abre uma possibilidade [de disputar a presidência]. Mas isso é uma coisa que você avalia em grupo, não sozinho."

Homem de camisa azul clara aponta para adesivo na camisa e faz sinal de vitória com a outra mão ao lado de cabine de votação branca com texto 'Justiça Eleitoral' e brasão.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), durante votação no segundo turno das eleições em São Paulo. - Danilo Verpa - 25.out.26/Folhapress

Pelo andar da carruagem, a cada dia aparecerá mais gente disposta a ajudá-lo a avaliar.

Devagar e sempre

Os Bolsonaros terão dois representantes no Senado, Michelle e o filho Carlos. Os bons modos de Valdemar Costa Neto e de Rogério Marinho terão trabalho para acostumá-los à etiqueta da Casa.

Conta a acertar

Em 2022, para atrapalhar a vida de eleitores nordestinos, o então diretor da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques, concebeu uma malha de barreiras. Foi imediatamente ameaçado de prisão pelo ministro Alexandre de Moraes. Vasques está preso na Papuda.

Quatro anos depois, numa operação mais refinada, pelo menos 60 mil viagens não aconteceram. Por enquanto, as empresas foram multadas. Só?

Padrão Einstein

Enquanto os Bolsonaros seguem com suas estripulias, o ministro Alexandre Padilha encontrou-se com Cláudio Lottenberg, seu sucessor designado por Flávio Bolsonaro. Abraçaram-se.

No evento, Padilha anunciou recursos da ordem de R$ 3,95 bilhões para hospitais de alta qualidade. Eles são a contrapartida de serviços dos hospitais pelos benefícios tributários que recebem.

Recordar é viver

Durante a trama golpista de 2022/23, o general Augusto Heleno deu uma preciosa aula de ciência política. Não foi ouvido e deu no que deu.

Em julho de 2022, antes da eleição, em uma reunião da cúpula do governo Bolsonaro, ele disse: "Não vai ter revisão no VAR. Então, o que tiver que ser feito tem que ser feito antes das eleições. Se tiver que dar soco na mesa, é antes das eleições. Se tiver que virar a mesa, é antes das eleições".

Tentaram depois da eleição e deu no que deu.

Na atribulada história nacional só Getúlio Vargas, em 1930, derrubou Júlio Prestes, presidente eleito.

Em 1955, Café Filho e Carlos Luz queriam impedir a posse de Juscelino Kubitschek, e o general Henrique Lott defenestrou-os.

Os dois Bolsonaro desafiaram essa escrita.

Reforma eleitoral pode realizar sonho de quem quer mandato sem ter voto, Elio Gaspari, FSP

 No meio da quizumba provocada por Flávio Bolsonaro, o presidente da Câmara, Hugo Motta, reuniu líderes para começar a desenhar um projeto de reforma eleitoral. Parece bobagem, mas pode resultar numa tunga parcial do direito de escolha dos parlamentares.

É um assunto complicado e chato, mas mudará a cara da política nacional e, se bobear, realizará o sonho do cacique que quer mandato sem ter voto.

A novidade viria com a criação do voto distrital. O país seria dividido em distritos e os candidatos disputariam as cadeiras no mano a mano. Quem tiver mais votos ganha. É o sistema americano. Simples, antigo e eficaz.

Homem de cabelos curtos e escuros, vestido com terno escuro, camisa branca e gravata vermelha, sentado em cadeira de escritório preta. Ele está em uma mesa com microfone, copo de água e papéis à sua frente, em ambiente que parece ser uma sessão legislativa ou reunião formal. Ao fundo, outras pessoas em trajes formais estão parcialmente visíveis.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, durante sessão plenária no Congresso. - Pedro Ladeira - 5.mai.26/Folhapress

Falta dizer quem vai desenhar os distritos. Tome-se um exemplo grosseiro do Rio de Janeiro. Se o distrito tiver um formato, do Leblon à Barra da Tijuca, a Rocinha pobre nunca elegerá um deputado.

Desenhando-se o distrito em outro sentido, indo de São Conrado e da Gávea até a Cidade de Deus, a banda próspera da cidade nunca elegerá um deputado.

Superada essa questão, já surgiu outro problema. O modelo seria distrital, porém misto. Os partidos teriam candidatos para o mano a mano dos distritos e também uma lista de notáveis que poderiam receber votos em qualquer distrito.

Até aí tudo bem. Contudo, vai aparecer o modelo das listas fechadas, organizadas pelas caciquias dos partidos.

Os afortunados receberiam a cadeira a partir da ordem de uma lista organizada pelos caciques. Sem um só voto. Essa gracinha já circulou duas vezes no Congresso e foi rejeitada.

As conversas de Motta estão no início e o novo sistema entraria em vigor em 2030 para funcionar plenamente em 2034.

Podendo-se replicar o sistema simples dos americanos, vai-se complicar com o único objetivo de eleger maganos que não receberam votos.

Moraes atravessou a rua para escorregar em casca de banana ao dar decisão sobre Flávio


Com sua inesgotável confiança no poder da polícia, o ministro Alexandre de Moraes decidiu mandar apreender os passaportes de Flávio Bolsonaro. É o velho faço-porque-posso.

Deu a Flávio a aura de perseguido e ele, com a família e os passaportes, está nos Estados Unidos. E seu documento italiano continua válido.

Homem calvo veste terno cinza, camisa branca e gravata azul, sentado em cadeira vermelha, olhando diretamente para a câmera com expressão séria. Fundo neutro cinza e preto.
O ministro do STF Alexandre de Moraes em sessão no tribunal. - Pedro Ladeira - 16.jun.26/Folhapress

Caso clássico de atravessar a rua para escorregar na casca de banana da outra calçada.

Sacrilégio

Flávio Bolsonaro poderia ter poupado o público da sua comparação com o general francês Charles de Gaulle. Em 1940, os alemães entraram em Paris e De Gaulle fugiu para liderar a Resistência a partir de Londres.

Viveu modestamente, com a mulher e a filha, que tinha síndrome de Down. Davam-lhe tão pouca importância que não gravaram seu primeiro apelo aos franceses. O escritor Romain Gary achou que era um pseudônimo. Ele se impôs.

Aquela barra era tão pesada que o general Leclerc, comandante da tropa francesa que entrou em Paris, nem Leclerc se chamava. Em 1940, ele era o capitão Philippe de Hauteclocque, um rico aristocrata. Quando chegou a Londres, virou Leclerc para poupar a família de represálias alemãs.

Diplomacia

Lá se foi o romance do governo Trump com os Bolsonaros que há um ano provocava tempestades e trovoadas.

Os diplomatas prevaleceram. Foram vários os fatores que levaram a isso, o principal é o horror epidérmico que Donald Trump tem aos perdedores.

O diplomata que definiu a vitória de Lula como "definitiva" e "surpreendente" sabia o que estava fazendo.

No pico da ditadura, quando o adido militar americano circulava com desenvoltura junto à tigrada, o cônsul em São Paulo, Frederic Chapin, mandava relatórios sistemáticos para Washington contando prisões, torturas e assassinatos.

Em dezembro de 1976, Chapin mandou um recado ao cardeal Paulo Evaristo Arns avisando que haveria uma operação contra o PCdoB em São Paulo.

Era o massacre da Lapa, onde foram assassinados Pedro Pomar e Ângelo Arroyo.