quinta-feira, 7 de maio de 2026

Eleição na Califórnia destaca preocupações de todos os EUA, Lucia Guimarães, FSP

 Se Lulu Santos tivesse assistido ao debate entre sete candidatos a governador na noite de terça-feira (5), talvez cantasse: "Garota, eu não vou pra Califórnia."

O ensolarado estado americano e quarta maior economia mundial se fosse um país (o Brasil é a 10ª) encerra uma campanha de eleições primárias para governador que desafia previsões e destaca descontentamentos nacionais.

Seis candidatos alinhados em púlpitos durante debate presidencial da CNN. Fundo com painéis nas cores vermelho, branco e azul e estrelas decorativas.
Os candidatos ao governo da Califórnia, durante debate na televisão americana. Da esquerda para a direita: Katie Porter, Tom Steyer, Steve Hilton, Chad Bianco, Xavier Becerra, Matt Mahan - Justin Sullivan - 5.mai.26/Getty Images/via AFP

Dois candidatos assumiram a liderança nesta semana. O democrata Xavier Becerra registrava, até o mês passado, números tão baixos que nem se qualificou para participar do primeiro debate. Mas, quando a candidatura favorita, do democrata Eric Swalwell, implodiu em abril, sob acusações de abuso sexual, Becerra, ex-secretário de Saúde do governo Biden, passou à liderança.

No campo republicano, empatou com Becerra em 18% Steve Hilton, um milionário londrino, que foi assessor do ex-primeiro-ministro britânico David Cameron, um trumpista de primeira hora, e ex-âncora da Fox News. Quando Hilton abre a boca, a gente imagina como seria um lisboeta com sotaque impenetrável se candidatar a governador da Bahia. Ah, os imigrantes que, mal se mudam para os EUA, passam a detestar imigração.

Apesar de ser um estado predominantemente azul, isto é, democrata, a Califórnia pode eleger um candidato Maga, que só obteve um passaporte americano em 2021, graças ao desarranjo no campo democrata, que já começou com excesso de candidaturas, um cenário que provoca desgaste entre pré-candidatos.

Isso ficou claro quando os quatro rivais de Becerra, partiram para cima do agora favorito com renovada agressividade. Eles incluem uma ex-deputada, um ex-prefeito de Los Angeles, um ex-prefeito de San Jose e um bilionário ambientalista considerado um traidor da classe por querer pagar mais imposto.

A candidatura de Steve Hilton é beneficiada pelo sistema eleitoral do estado. Os dois pré-candidatos que receberem o maior número de votos na primária de 2 de junho avançam para a eleição de novembro, não importa o partido. Se Hilton conseguir a vaga, vai ter amplo apoio de Donald Trump, que não vê a hora de se vingar de sua nêmese Gavin Newson, o atual governador democrata e provável candidato a presidente em 2028.

As preocupações dos californianos são uma versão amplificada de angústias no resto do país —alto custo de vida, moradia escassa, seguro saúde, imigração e inteligência artificial. Há uma questão importante com chances de inclusão nas cédulas de novembro: um imposto de 5% sobre fortunas acima de US$ 1 bilhão. A taxação só ocorreria uma vez, mas atingiria a bufunfa bilionária global de cada residente do estado, não importa onde esteja escondida —quer dizer, investida.

Só o plano da proposta fez plutocratas como Larry Page, cofundador do Google, fazer as malas e fugir para um cafofo de US$ 180 milhões em MiamiMark Zuckerberg gastou só US$ 170 milhões numa ilha próxima, onde vai poder bater à porta do vizinho Jeff Bezos, que comprou três casinhas adjacentes por mais de US$ 200 milhões.

Enquanto a legislação federal americana não abordar uma reforma fiscal, cidades e estados vão atrair os fujões do Leão, com consequências nefastas de longo prazo. Miami foi o terceiro município americano que mais perdeu população de renda média no ano passado. Vai faltar gente para cortar grama e lavar os banheiros dos recém-chegados.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Joesley Batista ajudou a intermediar encontro entre Lula e Trump, diz agência, FSP

 Marcela Ayres

Gabriel AraújoLuciana Magalhães
Brasília e São Paulo | Reuters

O empresário Joesley Batista desempenhou um papel fundamental na organização do encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump agendado para esta quinta-feira (7) em Washington, disse uma pessoa com conhecimento das negociações à agência de notícias Reuters.

Um jato da J&F, empresa da família Batista, tem um voo previsto do Colorado para Washington nesta quarta, de acordo com dados do site de rastreamento de aviões FlightAware.

Homem de meia-idade com cabelos grisalhos e ondulados, veste casaco escuro sobre camisa branca, com fundo azul turquesa desfocado.
Joesley Batista no IPO do PicPay na Bolsa de Nova York - Eduardo Munoz - 29.jan.26/Reuters

O encontro entre Lula e Trump estava sendo planejado desde janeiro, quando os dois líderes conversaram por telefone, mas havia sido deixado de lado enquanto a Casa Branca concentrava suas atenções na guerra no Irã. Na semana passada, porém, autoridades norte-americanas entraram em contato oferecendo a reunião.

O envolvimento de Joesley na intermediação da reunião ressalta o crescente poder dos líderes empresariais na definição da agenda do governo Trump.

Em janeiro, Joesley se encontrou com a líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, antes e depois de se reunir com autoridades norte-americanas, a quem procurou tranquilizar sobre a disposição de Caracas em abrir seu setor de petróleo e gás a investimentos.

No final do ano passado, a mesma aeronave rastreada nesta quarta a caminho de Washington havia voado para a capital da Venezuela, em meio a relatos da imprensa de que Joesley estava tentando persuadir o então ditador venezuelano, Nicolás Maduro, a renunciar.

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Uma segunda fonte confirmou que Joesley e seu irmão Wesley estão nos EUS, e acrescentou que Wesley viajou inicialmente para o Colorado. A pessoa não pôde comentar sobre o envolvimento deles nas negociações em torno do encontro entre Lula e Trump.

Procurada, a J&F disse que não vai comentar.

JBS, controlada da J&F e gigante da produção de carne, possui operações significativas nos EUA.

A Pilgrim's Pride, produtora de aves sediada nos EUA e controlada majoritariamente pela JBS, doou US$ 5 milhões ao comitê de posse de Trump em 2025, a maior contribuição individual divulgada até o momento.