quarta-feira, 6 de maio de 2026

Crise global do petróleo impulsiona o setor de energia renovável, NYT FSP

 CHICO HARLAN

Roma | The New York Times

Com a rota de abastecimento de combustíveis fósseis mais importante do mundo quase paralisada, muitos defensores da energia eólica e solar afirmam que a transição para energias renováveis está prestes a acelerar significativamente.

O chefe de clima das Nações Unidas, Simon Stiell, descreveu recentemente uma "imensa ironia" na qual líderes que "lutaram para manter o mundo viciado em combustíveis fósseis estão inadvertidamente turbinando o boom global das renováveis".

Ele não citou o presidente Donald Trump, mas os Estados Unidos estão promovendo agressivamente o petróleo e o gás natural, e seu ataque ao Irã levou ao fechamento efetivo do estreito de Hormuz, rota de cerca de um quinto do comércio global de petróleo.

Diversas turbinas eólicas alinhadas em campo aberto sob céu azul claro com poucas nuvens. As pás das turbinas estão em movimento, indicando geração de energia eólica.
Parque de energia eólica em Roscoe, nos EUA - Ralph Lauer - 31.out.13 / Zumapress/Xinhua

Levará tempo para ver até que ponto a previsão de Stiell se concretizará. Mas um relatório divulgado nesta quarta-feira (6) destaca uma razão para esse sentimento: em um momento em que o fornecimento de petróleo e gás está vacilando, o custo da energia eólica e solar continua caindo.

E, quando combinadas com sistemas de baterias para armazenamento, as renováveis frequentemente podem fornecer eletricidade estável de forma mais barata que os combustíveis fósseis, mesmo quando o sol não brilha ou o vento não sopra.

Isso acontece enquanto as exportações chinesas de painéis solares bateram recorde em março, dobrando em relação ao mês anterior, com países como Nigéria, Índia e Austrália importando mais do que nunca. Analistas alertam que parte do aumento pode ter vindo de compras antecipadas antes de uma mudança na política chinesa que efetivamente elevaria os preços a partir de abril.

Mas há outras evidências de uma possível mudança, desde o aumento nas vendas de veículos elétricos na Europa e na Ásia até o crescimento nas vendas de bombas de calor na Europa.

O relatório desta quarta-feira, da Agência Internacional de Energia Renovável, uma organização intergovernamental sediada em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, mostra como uma fraqueza tradicional da energia solar e eólica, a intermitência, está diminuindo em meio a avanços tecnológicos e baterias mais baratas. A capacidade de manter um fluxo de energia previsível é particularmente crucial para projetos como data centers, que exigem fornecimento constante.

"As renováveis estão entrando nesse novo território", disse Francesco La Camera, diretor-geral da agência de energia renovável, que promove energia limpa em todo o mundo. "Nesse caso, o armazenamento fará com que as renováveis se tornem dominantes no sistema energético. Não há dúvida."

Isso não significa que a energia renovável seja uma solução para todos os problemas de um mundo enfrentando um choque energético. Grandes projetos eólicos ou solares, mesmo no melhor cenário, levam vários anos para entrar em operação. Algumas indústrias cruciais, como aviação e cimento, não têm uma alternativa pronta para os combustíveis fósseis. E muitos países não têm dinheiro para realizar uma "mudança completa em seu sistema elétrico", disse Nat Bullard, analista de energia em Singapura e cofundador da Halcyon, uma empresa de dados energéticos.

Ainda assim, disse Bullard, "o sinal de longo prazo é bastante claro: faça tudo o que puder para reduzir sua dependência de petróleo importado".

O relatório da agência de energia renovável afirmou que os custos de armazenamento em baterias caíram 93% desde 2010, abrindo portas para projetos em partes do mundo com sol abundante ou ventos fortes. A China tem os custos solares mais baixos de qualquer país, com alguns projetos fornecendo eletricidade pela metade do custo do gás. Mesmo em um país com combustíveis fósseis abundantes e baratos, como a Arábia Saudita, a energia solar pode fornecer eletricidade quase contínua a um custo cada vez mais competitivo com os combustíveis fósseis, disse o relatório.

Os custos nos Estados Unidos para energia eólica e solar caíram nos últimos cinco anos, mas permanecem mais altos do que em muitos outros países. La Camera disse que isso se deve a questões estruturais na rede elétrica, bem como a tarifas impostas por Trump e lentidão nas licenças.

"O que está em jogo com os Estados Unidos é: eles querem permanecer competitivos ou não?", disse La Camera. "Porque se os outros produtores têm custos mais baixos que os EUA, então a economia dos EUA será penalizada."

Taylor Rogers, porta-voz da Casa Branca, disse em comunicado que "os americanos votaram esmagadoramente no presidente Trump para liberar fontes de energia confiáveis, acessíveis e seguras, porque a pressão dos democratas pela chamada energia verde ameaçou a segurança nacional dos Estados Unidos e elevou os preços".

"A realidade é que países que fizeram a transição para energia renovável são totalmente dependentes de outros países para petróleo e gás quando sua energia verde intermitente, cara e não confiável inevitavelmente falha", disse Rogers.

O governo Trump anunciou em janeiro que estava se retirando da Agência Internacional de Energia Renovável.

Dave Jones, cofundador da organização de pesquisa energética Ember, disse que os sistemas de baterias e armazenamento se transformaram tão rapidamente que "todo mundo está tentando acompanhar o quanto isso mudou fundamentalmente". Nos últimos anos, engenheiros fizeram mudanças para reduzir significativamente o risco de incêndio e estender a vida útil da tecnologia. E tudo isso está acontecendo enquanto o custo do petróleo e do gás natural liquefeito sobe.

"Então a economia da tecnologia limpa versus combustíveis fósseis recebeu um enorme impulso", disse Jones.

Um novo unicórnio brasileiro, The News

 

(Imagem: Enter | Divulgação)

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Atualmente, eles possuem +45 clientes — incluindo Magalu, Latam e Itaú — e processam +300 mil casos/ano. Com o novo aporte, eles pretendem expandir operações para outras regiões e ampliar o número de funcionários de 100 para 150.

Zoom in: O Mateus Costa-Ribeiro, um dos fundadores, entrou na faculdade aos 14 anos, fez mestrado em Harvard e, com 20 anos, tornou-se a pessoa mais jovem aprovada na história da Ordem dos Advogados de Nova York.

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Estádio do Ibirapuera se prepara para reabertura e dará prioridade ao atletismo em vez do futebol, OESP

 Depois de uma década sendo maltratado, o Ícaro de Castro Mello, conhecido como Estádio do Ibirapuera, em breve será reaberto com uma nova cara. Cerca de 85% das obras de restauro, reforma e modernização foram concluídas, e a previsão é de que o equipamento seja entregue em junho.

O cenário de anos de problemas estruturais começou a mudar graças à pressão da comunidade esportiva, sobretudo do atletismo, que reverberou a ponto de o governo do Estado viabilizar a tão esperada reforma do espaço, estimada em R$ 70 milhões, embora ainda deva haver aditivos no contrato.

Com capacidade para comportar 11 mil pessoas, as arquibancadas foram restauradas, bem como os canteiros. Foram instalados novos refletores, o gramado foi trocado e o estádio ganhou novos guarda-corpos e módulos sanitários com acessibilidade, além da modernização nas áreas elétrica, de segurança e drenagem, e a instalação de dois telões.

Estádio Ícaro de Castro Mello tem 85% das obras concluídas e deve ser entregue em junho
Estádio Ícaro de Castro Mello tem 85% das obras concluídas e deve ser entregue em junho Foto: Felipe Rau/Estadão

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Os espaços destinados aos atletas, como vestiários, academias e salas de fisioterapia, também passam por reforma para que o equipamento volte a ser um centro de treinamento e competições.

A mais importante intervenção ainda não foi feita: a instalação da nova pista de atletismo, importada da Itália e fabricada pela empresa Mondo. A pista vai receber certificação classe 1 da World Athletics, a mais alta qualificação concedida pela entidade que comanda o atletismo mundial. Ela chegou a São Paulo na última sexta-feira, 1º, e em breve será colocada.

A pista é azul como o antigo piso, deteriorado por anos até ser destruído por tratores para a realização de um evento de carros de corrida, cancelado posteriormente. Serão nove raias, além de uma pista de aquecimento.

Esse é um dos templos do atletismo no Brasil. A vocação permanece a mesma e a gente espera investir ainda mais para formar novos atletas.

Cláudia Carletto, secretária de Esportes do Estado de São Paulo

Ela assumiu o cargo há menos de um mês, ocupando o lugar que foi da coronel Helena Reis por mais de três anos.

Governo do Estado quer conceder complexo onde está o Estádio do Ibirapuera à iniciativa privada
Governo do Estado quer conceder complexo onde está o Estádio do Ibirapuera à iniciativa privada Foto: Felipe Rau/Estadão

Santos manifestou recentemente o desejo de jogar no Estádio do Ibirapuera assim que começar a reforma na Vila Belmiro. No entanto, conforme a secretária, é improvável que o equipamento receba jogos de futebol.

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“Sabemos que isso já foi aventado, mas aqui é a arena do atletismo”, reforça a secretária. “Cada espaço tem a sua vocação e nesse a vocação é do atletismo”.

A última competição oficial no local foi o Campeonato Paulista de Masters, em 2019. A expectativa é que o evento inaugural seja um campeonato de atletismo.

Inaugurado em agosto de 1954, o estádio ficou conhecido pela sua versatilidade, já que, além dos torneios de atletismo, foi palco de partidas de futebol e de shows históricos, como os de Black Sabbath, em 1992, e Elton John, em 1995.

Concessão à iniciativa privada

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Foi necessário preservar integralmente as características e elementos originais da estrutura do local porque o Complexo Desportivo Constâncio Vaz Guimarães, onde estão o Ginásio do Ibirapuera e o estádio, foi tombado definitivamente em 2024 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

“O estádio foi refeito preservando a identidade dele. Para quem olha é o mesmo estádio, mas totalmente novo”, diz Márcio Ribeiro Gaban, superintendente de Obras de Urbanização e Melhorias da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU). “É novo, mas preservando as características originais do projeto”.

Estádio Ícaro de Castro Mello, no Ibirapuera, terá nova pista de atletismo importada da Itália
Estádio Ícaro de Castro Mello, no Ibirapuera, terá nova pista de atletismo importada da Itália Foto: Felipe Rau/Estadão

Tivemos algumas coisas que não se imaginava que tinha sido construído daquele jeito e a hora que a gente começou a intervenção teve que alterar o projeto porque era totalmente diferente do que se imaginava com o que a gente tinha de informações iniciais

Márcio Ribeiro, superintendente de Obras da CDHU

Antes, em 2021, o Iphan havia determinado o tombamento provisório do complexo depois que o ex-governador João Doria tentou passar o local à iniciativa privada.

O argumento de Dória era que o Estado teria perdido espaço no cenário esportivo e cultural. Ele tinha o plano de construir edifícios comerciais, uma arena multiuso e um shopping center no endereço.

Como Dória, o atual governador Tarcísio de Freitas também quer conceder o uso dos quase 92 mil m² do complexo. A concessão também engloba a Vila Olímpica Mário Covas, uma área de 174 mil m² próxima à Rodovia Raposo Tavares, na zona oeste. Ambos os equipamentos são hoje administrados pela Secretaria de Esportes do Estado.

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O governo abriu em março uma consulta pública sobre a concessão, por meio da Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI). A previsão é de que o edital seja lançado no primeiro semestre deste ano e o leilão ocorra até dezembro. A outorga está estipulada em R$ 5,2 milhões.

A reforma foi feita em parceria entre a Secretaria de Esportes do Estado e a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU).