Depois de uma década sendo maltratado, o Ícaro de Castro Mello, conhecido como Estádio do Ibirapuera, em breve será reaberto com uma nova cara. Cerca de 85% das obras de restauro, reforma e modernização foram concluídas, e a previsão é de que o equipamento seja entregue em junho.
O cenário de anos de problemas estruturais começou a mudar graças à pressão da comunidade esportiva, sobretudo do atletismo, que reverberou a ponto de o governo do Estado viabilizar a tão esperada reforma do espaço, estimada em R$ 70 milhões, embora ainda deva haver aditivos no contrato.
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Com capacidade para comportar 11 mil pessoas, as arquibancadas foram restauradas, bem como os canteiros. Foram instalados novos refletores, o gramado foi trocado e o estádio ganhou novos guarda-corpos e módulos sanitários com acessibilidade, além da modernização nas áreas elétrica, de segurança e drenagem, e a instalação de dois telões.
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Os espaços destinados aos atletas, como vestiários, academias e salas de fisioterapia, também passam por reforma para que o equipamento volte a ser um centro de treinamento e competições.
A mais importante intervenção ainda não foi feita: a instalação da nova pista de atletismo, importada da Itália e fabricada pela empresa Mondo. A pista vai receber certificação classe 1 da World Athletics, a mais alta qualificação concedida pela entidade que comanda o atletismo mundial. Ela chegou a São Paulo na última sexta-feira, 1º, e em breve será colocada.
A pista é azul como o antigo piso, deteriorado por anos até ser destruído por tratores para a realização de um evento de carros de corrida, cancelado posteriormente. Serão nove raias, além de uma pista de aquecimento.
Esse é um dos templos do atletismo no Brasil. A vocação permanece a mesma e a gente espera investir ainda mais para formar novos atletas.
Cláudia Carletto, secretária de Esportes do Estado de São Paulo
Ela assumiu o cargo há menos de um mês, ocupando o lugar que foi da coronel Helena Reis por mais de três anos.

O Santos manifestou recentemente o desejo de jogar no Estádio do Ibirapuera assim que começar a reforma na Vila Belmiro. No entanto, conforme a secretária, é improvável que o equipamento receba jogos de futebol.
“Sabemos que isso já foi aventado, mas aqui é a arena do atletismo”, reforça a secretária. “Cada espaço tem a sua vocação e nesse a vocação é do atletismo”.
A última competição oficial no local foi o Campeonato Paulista de Masters, em 2019. A expectativa é que o evento inaugural seja um campeonato de atletismo.
Inaugurado em agosto de 1954, o estádio ficou conhecido pela sua versatilidade, já que, além dos torneios de atletismo, foi palco de partidas de futebol e de shows históricos, como os de Black Sabbath, em 1992, e Elton John, em 1995.
Concessão à iniciativa privada
Foi necessário preservar integralmente as características e elementos originais da estrutura do local porque o Complexo Desportivo Constâncio Vaz Guimarães, onde estão o Ginásio do Ibirapuera e o estádio, foi tombado definitivamente em 2024 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
“O estádio foi refeito preservando a identidade dele. Para quem olha é o mesmo estádio, mas totalmente novo”, diz Márcio Ribeiro Gaban, superintendente de Obras de Urbanização e Melhorias da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU). “É novo, mas preservando as características originais do projeto”.

Tivemos algumas coisas que não se imaginava que tinha sido construído daquele jeito e a hora que a gente começou a intervenção teve que alterar o projeto porque era totalmente diferente do que se imaginava com o que a gente tinha de informações iniciais
Márcio Ribeiro, superintendente de Obras da CDHU
Antes, em 2021, o Iphan havia determinado o tombamento provisório do complexo depois que o ex-governador João Doria tentou passar o local à iniciativa privada.
O argumento de Dória era que o Estado teria perdido espaço no cenário esportivo e cultural. Ele tinha o plano de construir edifícios comerciais, uma arena multiuso e um shopping center no endereço.
Como Dória, o atual governador Tarcísio de Freitas também quer conceder o uso dos quase 92 mil m² do complexo. A concessão também engloba a Vila Olímpica Mário Covas, uma área de 174 mil m² próxima à Rodovia Raposo Tavares, na zona oeste. Ambos os equipamentos são hoje administrados pela Secretaria de Esportes do Estado.
O governo abriu em março uma consulta pública sobre a concessão, por meio da Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI). A previsão é de que o edital seja lançado no primeiro semestre deste ano e o leilão ocorra até dezembro. A outorga está estipulada em R$ 5,2 milhões.
A reforma foi feita em parceria entre a Secretaria de Esportes do Estado e a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU).




