quarta-feira, 6 de maio de 2026

Estádio do Ibirapuera se prepara para reabertura e dará prioridade ao atletismo em vez do futebol, OESP

 Depois de uma década sendo maltratado, o Ícaro de Castro Mello, conhecido como Estádio do Ibirapuera, em breve será reaberto com uma nova cara. Cerca de 85% das obras de restauro, reforma e modernização foram concluídas, e a previsão é de que o equipamento seja entregue em junho.

O cenário de anos de problemas estruturais começou a mudar graças à pressão da comunidade esportiva, sobretudo do atletismo, que reverberou a ponto de o governo do Estado viabilizar a tão esperada reforma do espaço, estimada em R$ 70 milhões, embora ainda deva haver aditivos no contrato.

Com capacidade para comportar 11 mil pessoas, as arquibancadas foram restauradas, bem como os canteiros. Foram instalados novos refletores, o gramado foi trocado e o estádio ganhou novos guarda-corpos e módulos sanitários com acessibilidade, além da modernização nas áreas elétrica, de segurança e drenagem, e a instalação de dois telões.

Estádio Ícaro de Castro Mello tem 85% das obras concluídas e deve ser entregue em junho
Estádio Ícaro de Castro Mello tem 85% das obras concluídas e deve ser entregue em junho Foto: Felipe Rau/Estadão

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Os espaços destinados aos atletas, como vestiários, academias e salas de fisioterapia, também passam por reforma para que o equipamento volte a ser um centro de treinamento e competições.

A mais importante intervenção ainda não foi feita: a instalação da nova pista de atletismo, importada da Itália e fabricada pela empresa Mondo. A pista vai receber certificação classe 1 da World Athletics, a mais alta qualificação concedida pela entidade que comanda o atletismo mundial. Ela chegou a São Paulo na última sexta-feira, 1º, e em breve será colocada.

A pista é azul como o antigo piso, deteriorado por anos até ser destruído por tratores para a realização de um evento de carros de corrida, cancelado posteriormente. Serão nove raias, além de uma pista de aquecimento.

Esse é um dos templos do atletismo no Brasil. A vocação permanece a mesma e a gente espera investir ainda mais para formar novos atletas.

Cláudia Carletto, secretária de Esportes do Estado de São Paulo

Ela assumiu o cargo há menos de um mês, ocupando o lugar que foi da coronel Helena Reis por mais de três anos.

Governo do Estado quer conceder complexo onde está o Estádio do Ibirapuera à iniciativa privada
Governo do Estado quer conceder complexo onde está o Estádio do Ibirapuera à iniciativa privada Foto: Felipe Rau/Estadão

Santos manifestou recentemente o desejo de jogar no Estádio do Ibirapuera assim que começar a reforma na Vila Belmiro. No entanto, conforme a secretária, é improvável que o equipamento receba jogos de futebol.

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“Sabemos que isso já foi aventado, mas aqui é a arena do atletismo”, reforça a secretária. “Cada espaço tem a sua vocação e nesse a vocação é do atletismo”.

A última competição oficial no local foi o Campeonato Paulista de Masters, em 2019. A expectativa é que o evento inaugural seja um campeonato de atletismo.

Inaugurado em agosto de 1954, o estádio ficou conhecido pela sua versatilidade, já que, além dos torneios de atletismo, foi palco de partidas de futebol e de shows históricos, como os de Black Sabbath, em 1992, e Elton John, em 1995.

Concessão à iniciativa privada

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Foi necessário preservar integralmente as características e elementos originais da estrutura do local porque o Complexo Desportivo Constâncio Vaz Guimarães, onde estão o Ginásio do Ibirapuera e o estádio, foi tombado definitivamente em 2024 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

“O estádio foi refeito preservando a identidade dele. Para quem olha é o mesmo estádio, mas totalmente novo”, diz Márcio Ribeiro Gaban, superintendente de Obras de Urbanização e Melhorias da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU). “É novo, mas preservando as características originais do projeto”.

Estádio Ícaro de Castro Mello, no Ibirapuera, terá nova pista de atletismo importada da Itália
Estádio Ícaro de Castro Mello, no Ibirapuera, terá nova pista de atletismo importada da Itália Foto: Felipe Rau/Estadão

Tivemos algumas coisas que não se imaginava que tinha sido construído daquele jeito e a hora que a gente começou a intervenção teve que alterar o projeto porque era totalmente diferente do que se imaginava com o que a gente tinha de informações iniciais

Márcio Ribeiro, superintendente de Obras da CDHU

Antes, em 2021, o Iphan havia determinado o tombamento provisório do complexo depois que o ex-governador João Doria tentou passar o local à iniciativa privada.

O argumento de Dória era que o Estado teria perdido espaço no cenário esportivo e cultural. Ele tinha o plano de construir edifícios comerciais, uma arena multiuso e um shopping center no endereço.

Como Dória, o atual governador Tarcísio de Freitas também quer conceder o uso dos quase 92 mil m² do complexo. A concessão também engloba a Vila Olímpica Mário Covas, uma área de 174 mil m² próxima à Rodovia Raposo Tavares, na zona oeste. Ambos os equipamentos são hoje administrados pela Secretaria de Esportes do Estado.

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O governo abriu em março uma consulta pública sobre a concessão, por meio da Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI). A previsão é de que o edital seja lançado no primeiro semestre deste ano e o leilão ocorra até dezembro. A outorga está estipulada em R$ 5,2 milhões.

A reforma foi feita em parceria entre a Secretaria de Esportes do Estado e a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU).

terça-feira, 5 de maio de 2026

Tarcísio lança presidente da Alesp ao Senado e critica Haddad, FSP

 Bruno Ribeiro

São Paulo

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) apresentou o presidente da Alesp (Assembleia Legislativa), André do Prado (PL), como o segundo candidato ao Senado de sua chapa, fechando a composição que deve ir às urnas em outubro.

O presidente da Alesp está nesta terça-feira (5) nos Estados Unidos e, segundo Tarcísio, conversou sobre o assunto com o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), obtendo o aval dele.

Até o começo do ano passado, antes de Eduardo se mudar para o exterior, era o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) quem teria a vaga, em um acordo feito com Tarcísio e lideranças dos partidos que o apoiam.

Três homens vestidos com ternos escuros e gravatas estão sentados em cadeiras de madeira com encosto alto. O homem do centro olha para frente, enquanto os outros dois conversam entre si, inclinados em sua direção. Há garrafas de água e copos sobre a mesa à frente deles, além de placas com nomes.
O presidente da Alesp, André do Prado (ao centro), entre o governador Tarcísio de Freitas (esq.) e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto - Danilo Verpa - 27.fev.26/Folhapress

"[André] acertou essa pré-candidatura com o Eduardo. Está lá nos Estados Unidos neste momento. Essas conversas já vinham acontecendo. Obviamente, a decisão ia caber –e isso foi combinado lá atrás com o [ex-]presidente Bolsonaro– ao [ex-]presidente e ao Eduardo. O Eduardo abriu mão de sua candidatura e então essa pré-candidatura fica com o André do Prado. Vai ser oficializado por eles, mas eu já estou aqui dando essa notícia a vocês", disse Tarcísio, em um evento, no Palácio dos Bandeirantes, para falar de obras rodoviárias.

O presidente da Alesp é o principal aliado do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, no estado. Ao longo do mandato, estreitou laços com Tarcísio.

André do Prado, que tem reduto eleitoral na região do Alto Tietê, no leste da região metropolitana da capital, havia viajado aos Estados Unidos na semana passada para uma primeira conversa com o filho do ex-presidente, segundo seus aliados. Ele viajou novamente na noite desta segunda-feira (4), selando o acordo.

Entre bolsonaristas, há expectativa de que o próprio Eduardo figure como suplente de senador na candidatura de André, considerando que, formalmente, ele não está inelegível. A costura considera que, em uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, haveria condições de Eduardo retornar ao Brasil e assumir o mandato.

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Com o nome de André fechado, a chapa com a qual Tarcísio tentará a reeleição mantém seu atual vice, Felício Ramuth (MDB), e inclui ainda o deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) na outra vaga ao Senado. Derrite era secretário da Segurança Pública.

Na entrevista coletiva em que fez o anúncio, Tarcísio também criticou o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), pré-candidato de oposição a Tarcísio ao governo paulista, que na semana passada apontou falhas na condução das finanças paulistas.

"Era só o que me faltava, Haddad falar de política fiscal do estado de São Paulo. Está de brincadeira. O cara que quebrou o Brasil vai falar do estado de São Paulo? Eu tenho vergonha de falar um negócio desse", disse Tarcísio.

"Vamos lá, o legado do Haddad no governo federal: sete pontos a mais de relação dívida-PIB. A maior carga tributária da história. Uma penca de pessoas endividadas. Uma quantidade enorme de empresas em recuperação judicial. A segunda maior taxa de juros real do mundo", disse. "E esse cara realmente quer falar de fiscal? Ah, faça-me um favor, dá um tempo para mim", disse.

Tarcísio também rebateu uma fala específica de Haddad, que na semana passada havia dito que o governador era submisso ao presidente norte-americano, Donald Trump.

"O que tem a ver o estado de São Paulo com o Trump? Faz um favor pra mim. A gente não faz política externa aqui. Ele tem que parar de falar bobagem. Não trabalhou durante três anos, agora quer ficar falando besteira. É isso. Todo dia falando uma bobagem. A gente tá aqui todo dia fazendo uma entrega", disse.