sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Como são os hotéis de luxo da COP30, com mais de 90% de ocupação, FSP

 

Belém

"Estamos com 100% de ocupação no período da COP30", diz Priscila Lima, gerente geral do hotel de luxo Vila Galé Collection Amazônia, inaugurado no mês passado em Belém, pegando carona no boom da conferência. A diária mais alta cobrada foi de R$ 4.200, para a suíte premium.

"Na nossa primeira venda, na abertura, as diárias começavam em R$ 1.700. Mas, a partir do momento em que houve cancelamentos e desbloqueios das primeiras reservas, a gente começou a cobrar de acordo com a demanda, e as diárias mais baratas passaram a R$ 3.500", explica.

Outro hotel cinco estrelas construído em Belém para a conferência da ONU, o Tivoli Maiorana tem uma média de ocupação de 91% para o período do evento. A taxa chega a 100% entre os dias 10 e 15 de novembro, e a porcentagem mais baixa, de 83%, corresponde aos últimos dias, de 19 a 21.

Hotel de luxo Vila Galé Collection Amazônia inaugurado antes da COP30, em Belém, com vista para a Baía do Guajará - Augusto Pinheiro/Folhapress

O valor da diária começa a partir de R$ 8.000 e chega a R$ 33 mil para a suíte presidencial. Essa categoria de apartamento é duplex e tem 220m². Conta com vista panorâmica sobre a baía do Guajará, quarto com cama king size, salas de estar e de jantar, cozinha completa, banheira e serviço de mordomo 24 horas.

Segundo nota enviada à Folha, "o perfil dos hóspedes é 90% de estrangeiros e 10% de brasileiros, refletindo o caráter global da marca e a atratividade do destino".

Já a gerente do Vila Galé revela que o hotel está hospedando membros das delegações da República Democrática do CongoChilePortugalCoreia do SulNigéria União Europeia. "A gente também tem aqui vários senadores brasileiros, inclusive o presidente do Senado [Davi Alcolumbre]. Então eles também estão circulando ao longo desta semana, junto com as delegações internacionais e outros participantes. Algumas empresas privadas enviaram seus colaboradores", afirma Priscila.

Hospedado no hotel, o senador nigeriano Nwebonyi Onyeka Peter disse à Folha que estava encantado com a presença da natureza no estabelecimento.

"É um lugar muito bonito, único. Além do verde das plantas, você tem a baía, que parece um mar", opinou, em referência à baía do Guajará, que banha a cidade. "Isso tudo está alinhado com o tema da conferência que nos trouxe aqui."

Quando a reportagem pediu sua opinião sobre o valor da diária, o senador disse que não sabia quanto custou. "Estou sendo patrocinado por uma agência do meu país, que recolhe royalties de companhias petrolíferas."

A gerente do Vila Galé fala com orgulho dos chefes de Estado e de governo que receberam durante a Cúpula dos Líderes, nos dias 6 e 7 de novembro. "Ficaram aqui os presidentes do Chile, Gabriel Boric, e da República Democrática do Congo, Félix Tshisekedi Tshilombo, o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen."

Os participantes da COP30 hospedados no hotel podem desfrutar de duas piscinas ao ar livre e de uma piscina coberta e aquecida, spa, salas de eventos e um bar-restaurante que une as culinárias mediterrânea e paraense. O empreendimento fica próximo a pontos turísticos como Porto FuturoEstação das Docas e o Mercado Ver-o-Peso. São 227 apartamentos no total, divididos em cinco categorias.

O senador nigeriano Nwebonyi Onyeka Peter, hospedado no hotel Vila Galé Collection Amazônia - Augusto Pinheiro/Folhapress

Já o Tivoli não revela o nome dos mandatários que se hospedaram no hotel. "Mantemos sempre o compromisso com a excelência nos serviços e a discrição necessária, garantindo que todas as atividades ocorram dentro dos mais altos padrões de hospitalidade e segurança."

Segundo a nota, "a operação [durante a Cúpula dos Líderes] ocorreu normalmente, seguindo rigorosamente os protocolos internos e as diretrizes estabelecidas para receber autoridades e suas comitivas".

O hotel tem 176 apartamentos, sendo duas suítes presidenciais, que atualmente estão ocupadas. O espaço conta também com um spa com tratamentos inspirados nas tradições tailandesas, com quatro salas, lounge de relaxamento e sauna. Na cobertura, há o bar e restaurante SEEN Belém, do chef português Olivier da Costa, além de uma piscina. Outros três restaurantes completam a oferta gastronômica. Para trabalhar, há cinco espaços para reuniões e convenções, com capacidade para até 500 participantes.

Piscina do hotel Vila Galé Collection Amazônia, inaugurado no mês passado em Belém - Augusto Pinheiro/Folhapress

Hotel COP30

Já o Hotel COP30, longe do luxo dos estabelecimentos citados, virou símbolo dos preços exorbitantes da hospedagem no período da conferência, quando chegou a cobrar a R$ 2.500 pela diária. Porém, segundo o gerente, Alcides Moura, isso não passou de um teste em uma plataforma hoteleira.

Atualmente, o estabelecimento, que funciona no prédio de um antigo motel, tem ocupação de cerca de 90%. "Dos 17 quartos, apenas dois estão disponíveis", afirma o recepcionista Rômulo Costa. "O valor da diária ficou, no final, entre US$ 150 (cerca de R$ 790) e US$ 200 (R$ 1.050), seguindo a orientação do Ministério Público", completa.

O dinamarquês Tobias Gräs no lobby do Hotel COP30 - Augusto Pinheiro/Folhapress

Segundo ele, há hóspedes de países como Gana e Reino Unido, entre outros, além de brasileiros. A reportagem conversou com o dinamarquês Tobias Gräs, diretor de políticas do Conselho de Agricultura e Alimentação da Dinamarca. "Eu só tenho coisas boas para falar sobre o estabelecimento", afirmou.

Membro da delegação da Organização Mundial de Agricultores, ele disse que ficou apenas um dia e meio na COP, pois temia não poder pagar os valores das diárias.

"Eu vim sem reserva porque os preços eram, em média, € 1.000 (R$ 6.130) por noite no Booking. Então eu comprei o voo de volta para hoje [nesta terça (12)], pensando que, caso eu não achasse acomodação, eu poderia chegar pela manhã e ir embora à noite, já que eu estaria em Brasília para outro evento."

Ele chegou no domingo, dois dias antes do programado. "Encontrei este hotel na internet, achei o preço bom e reservei duas noites. Os preços caíram para um patamar justo. Se eu soubesse disso, teria me planejado para ficar mais dias."

O recepcionista Rômulo Costa diz que usa o Google Tradutor para se comunicar com os hóspedes. "Quando são línguas mais próximas, como espanhol ou até o francês, a gente consegue desenrolar. Agora o inglês não dá", diz.

O funcionário conta um fato curioso que vem acontecendo devido ao nome do hotel. Alguns participantes do evento estão chegando lá para fazer o check-in quando deveriam ir para a Vila COP, hotel de luxo construído para hospedar chefes de Estado durante a Cúpula dos Líderes e que, agora, aloja o público em geral.

"Não sei se é o motorista de táxi que confunde, mas tem vindo muita gente perguntando pela reserva. Já aconteceu com uns quatro grupos. Lembro que, entre eles, havia um do Equador e outro da Malásia. É um grande transtorno, porque a Vila COP fica longe daqui —e mais próxima do aeroporto", afirma.

Alvaro Costa e Silva - O editor 'maluco' que peitou a ditadura militar, FSP

 Durante a ditadura militar, o editor Ênio Silveira teve os direitos políticos cassados. Seus livros foram recolhidos, confiscados e queimados; sua livraria na rua Sete de Setembro, no Rio, e a editora Civilização Brasileira, alvos de incêndio criminoso, atentado a bomba e estrangulamento econômico. Um de seus principais autores, Carlos Heitor Cony, foi preso seis vezes pelo regime. Ênio conseguiu superar a marca: preso em oito oportunidades, acusado de "subversão cultural" e "propaganda comunista".

Na primeira delas, logo após o golpe de 1964, o interrogatório girou em torno da origem de seus bens. Os militares consideravam inconcebível que se pudesse obter lucro no Brasil com a publicação de livros sobre política e ciências sociais. Deviam desconfiar que Ênio estava garantido pelo que então se chamava "ouro de Moscou". Não faziam ideia de que a fortuna dele era de outro tipo —talento e tino comercial.

Homem de cabelos grisalhos, usando óculos escuros, terno escuro, camisa branca e gravata, sorri enquanto está em ambiente interno com prateleiras de livros ao fundo.
O editor Ênio Silveira - Reprodução

Seu centenário de nascimento transcorre na terça-feira (18), e sua trajetória de luta e livros está na biografia recém-lançada "Ênio Silveira: O Editor que Peitou a Ditadura", do também editor Sérgio França.

Descoberto por Monteiro Lobato, estudou nos Estados Unidos e estagiou com Alfred A. Knopf, com quem aprendeu a ser um publisher, assumindo as funções de diretor de aquisições e de logística, editor de textos preocupado com o design e o marketing. Ideologicamente formado pelo Partido Comunista americano, era um maluco, um suicida, na visão do seu amigo Jorge Zahar. Capaz de fazer, com tradução direta do alemão, a primeira edição completa de "O Capital" no país e, ao mesmo tempo, contratar uma agência de publicidade para promover o lançamento de "Lolita", de Nabokov.

Certa vez, ouviu de Luís Carlos Prestes: "Agora temos uma editora". Ênio rebateu na lata: "Não, a editora é minha". Isso explica por que "Pessach: A Travessia", de Cony, romance que acusa o PCB de traição, saiu trazendo uma orelha que se posicionava contra a obra. Um caso inédito no mundo.

Gestão Nunes elabora pedido de cessão de escola centenária para instalar base da GCM, FSP

 

São Paulo

A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) iniciou trâmite interno para pedir a cessão do prédio histórico da Escola Estadual de São Paulo, a mais antiga do estado, fundada em 1894, para transformá-lo em uma base da Guarda Civil Metropolitana (GCM), no Brás, centro de São Paulo.

Documentos que a Folha teve acesso oficializaram interesse do comando da GCM pelo terreno onde está a escola centenária, pertencente ao município, em cessão a título gratuito.

Vista aérea mostra área com vegetação densa, duas estruturas principais — uma circular branca e outra retangular — cercadas por árvores. Viadutos curvos cruzam a cena, conectando diferentes níveis de terreno.
Escola Estadual de São Paulo, no parque D. Pedro 2º - Gabriel Cabral - 17.mai.25/Folhapress

O imóvel pertence à secretaria estadual de Educação e abriga turmas com cerca de 120 alunos.

Uma parte do prédio, porém, está em estágio avançado de deterioração e foi interditada pela Defesa Civil. O fechamento da escola chegou a ser anunciado pela gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) no fim do ano passado.

Obras de restauro foram feitas em 2019, quando o governo estadual substituiu o piso de porcelanato nas salas de ensaio e mezanino, entre outras melhorias.

O anúncio do encerramento das atividades causou protesto entre alunos e professores. Na ocasião, a gestão estadual informou que foram feitas transferências para outras unidades de ensino da região sem falta de vagas.

Diante da reação, o gestão Tarcísio recuou da decisão e adiou o fechamento da escola para 2026. "A escola não vai fechar no próximo ano. A prefeitura pediu o prédio, mas a gente conseguiu conversar e jogar, mudar essa decisão. A Escola São Paulo abre em 2025", disse o secretário de Educação, Renato Feder, em dezembro de 2024.

Procurada, a secretaria estadual de Educação informou que não recebeu comunicado da prefeitura para desocupar a escola e que irá manter as turmas no local durante o próximo ano letivo.

A prefeitura informou que "não haverá qualquer definição sobre a destinação do prédio mencionado até sua devolução ao município".

Fundada em 1894, a escola é uma das mais antigas do estado. A unidade fica ao lado do Parque Dom Pedro 2º, área alvo de projeto de revitalização por meio de Parceria Público Privada (PPP) em fase de licitação pela gestão municipal com orçamento de R$ 2,19 bilhões.

Edifício grande e simétrico com três pavimentos, janelas retangulares alinhadas e entrada central com escadaria. Fachada em estilo clássico, com telhado de várias águas e detalhes arquitetônicos simples. Foto em preto e branco, com céu claro ao fundo.
O prédio original do Gymnasio de São Paulo, atual Escola Estadual de São Paulo, em fotografia do início do século 20 - Foto Prugner

As obras de revitalização têm como ponto de partida a modernização do terminal Parque Dom Pedro 2º, que será ampliado e conectado à estação Pedro 2º do metrô, ao Expresso Tiradentes e, futuramente, ao BRT da Radial Leste, já em fase de obras.

Também está prevista uma conexão com o Bonde São Paulo, projeto que será submetido a consulta pública e prevê um veículo leve sobre trilhos (VLT) no centro da capital.

Desde o início do segundo mandato, Nunes tem priorizado a segurança em sua gestão, com previsão de salto de investimento no programa de videomonitoramento municipal. A previsão é destinar R$ 240,6 milhões em 2026 para manutenção e operação do sistema de câmeras. Neste ano, gestão Nunes havia reservado bem menos, R$ 45,2 milhões.

História

Fundada em 1894 com o nome Gymnasio do Estado de São Paulo, a escola por muitas décadas atendeu os filhos da elite paulistana. Ali passaram nomes como Cásper Líbero, Paulo Setúbal, Orígenes Lessa e Francisco Cuoco.

A unidade tem um projeto arquitetônico arrojado, motivo pelo qual já foi objeto de estudo de alunos de arquitetura de universidades de todo o país. A escola é cercada por grandes árvores e se integra aos viadutos do entorno. Os prédios das salas de aula e o ginásio de esportes são inspirados nos pavilhões e na oca do parque Ibirapuera.

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