segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

Pelé não responde mais à quimioterapia e está em cuidados paliativos, FSP

 

SÃO PAULO

Internado desde a última terça (29) no Hospital Israelita Albert Einstein, Pelé, 82, não responde mais ao tratamento quimioterápico que vinha fazendo desde setembro do ano passado, quando foi operado de um câncer de intestino. No início do ano, foram diagnosticadas metástases no intestino, no pulmão e no fígado.

Folha apurou que o craque está em cuidados paliativos exclusivos. Isso quer dizer que a quimioterapia foi suspensa e que ele segue recebendo medidas de conforto, para aliviar a dor e a falta de ar, por exemplo, sem ser submetido a terapias invasivas.

Cuidados paliativos são indicados a todos os pacientes com doenças ou condições progressivas e potencialmente mortais. As medidas vão depender dos sintomas, da funcionalidade e do prognóstico, ou seja, quanto tempo de sobrevida se espera para o paciente.

Conforme a ESPN antecipou, o Pelé chegou ao hospital com um quadro de anasarca (inchaço generalizado), uma síndrome edemigêmica (edema generalizado) e uma insuficiência cardíaca descompensada. A Folha confirmou essas informações.

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Retrato de Pelé, feito no museu que leva seu nome, em Santos - Bruno Santos - 28.nov.2018/Folhapress

Na tarde desta sexta (2), o Hospital Israelita Albert Einstein divulgou nota informando que Pelé teve diagnosticada uma infecção respiratória, após ser internado na terça para uma reavaliação da terapia quimioterápica do tumor de cólon identificado em setembro de 2021.

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A infecção está sendo tratada com antibióticos. "A resposta tem sido adequada e o paciente, que segue em quarto comum, está estável, com melhora geral no estado de saúde", diz o comunicado assinado pelos médicos Fabio Nasri, geriatra e endocrinologista, o oncologista Rene Gansl e Miguel Cendoroglo Neto, diretor-superintendente médico do Einstein

De acordo com a nota, o ex-jogador continuará internado nos próximos dias para continuidade do tratamento.

Folha tentou ouvir os médicos que assinam o comunicado, mas, de acordo com a assessoria, os posicionamentos da equipe só virão por meio de notas oficiais. Também tentou ouvir a direção do hospital sobre a suspensão da quimioterapia e da adoção de cuidados paliativos. O hospital não confirmou e também não negou a informação. Apenas reforçou que manteria o conteúdo da nota divulgada nesta sexta.

Na tarde deste sábado (3), o hospital divulgou nova nota em que repete o conteúdo do boletim anterior, informando que Pelé segue em tratamento, e o estado de saúde continua estável. "Tem tido boa resposta também aos cuidados na infecção respiratória, não apresentando nenhuma piora no quadro nas últimas 24h", diz.

Kely Nascimento, filha do Rei, tem minimizado a gravidade do quadro de saúde do pai em seu perfil em uma rede social. "A mídia está surtando novamente e eu quero vir aqui abafar um pouquinho. Meu pai está internado, regulando medicamento. Eu não estou pulando num voo para correr lá. Meus irmãos estão no Brasil, visitando, e eu vou no Ano-Novo", postou. "Não tem surpresa, nem emergência", concluiu Kely, que agradeceu ao carinho dos fãs.

Pelé tem feito postagens em suas redes sociais durante a Copa do Mundo. Na segunda (28), no intervalo do jogo do Brasil contra a Suíça, com o placar ainda em 0 a 0, postou no Twitter: "Como vocês estão depois deste primeiro tempo? Como diria meu amigo, Galvão Bueno: Haja coração. Eu acredito na vitória, e vocês?".

Nesta quinta, em sua conta no Instagram, foi publicado um texto em que ele agradece homenagem que recebeu no país-sede da Copa e também tranquiliza os fãs. "Amigos, eu estou no hospital fazendo minha visita mensal. É sempre bom receber mensagens positivas como essa. Obrigado ao Qatar por essa homenagem, e a todos que me enviam boas energias!"

O craque luta contra um câncer de intestino desde 31 de agosto de 2021, quando teve diagnosticado um tumor no cólon (intestino grosso) durante exames de rotina, que deveriam ter sido feitos em 2020, mas foram adiados por conta da pandemia da Covid-19.

Quatro dias depois, passou por cirurgia no Albert Einstein para retirar o tumor e, durante a internação, foi levado algumas vezes para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva), a última delas em 16 de setembro. Segundo o boletim divulgado na época, o craque teve uma instabilidade respiratória.

Logo após a cirurgia, o tricampeão mundial iniciou sessões de quimioterapia. Em dezembro de 2021, ficou cerca de 15 dias internado para mais sessões de quimioterapia. No dia 23 de dezembro, quando teve alta, postou nas redes sociais. "Como eu havia lhes prometido, vou passar o Natal com a minha família. Estou voltando para casa."

Em 13 de fevereiro, quando retornou para mais sessões de quimioterapia, brincou. "Tomara que tenha pipoca para assistir ao Super Bowl logo mais. Estarei vendo, apesar de meu amigo Tom Brady não estar jogando. Obrigado por todas as mensagens de carinho". Na ocasião, o Rei precisou prolongar sua estadia no hospital após os médicos identificarem uma infecção urinária. Pelé recebeu alta no dia 28 de fevereiro.

Além do câncer, o atleta sofre com sequelas de três cirurgias realizadas nos últimos anos. Uma para colocação de prótese no quadril e outras duas para corrigi-la. Também sente dores no joelho, problemas que dificultavam sua locomoção.

CUIDADOS PALIATIVOS

Cuidados paliativos não significam uma morte iminente. É comum que muitos pacientes se estabilizem de quadros agudos e até tenham alta hospitalar.

Há artigos científicos mostrando que, para certas condições, cuidados paliativos podem resultar em sobrevida ainda maior do que tratamentos quimioterápicos ou outras intervenções invasivas.

Por isso, a OMS (Organização Mundial da Saúde) preconiza que os cuidados paliativos deveriam estar acessíveis a todos os pacientes que tenham doenças graves e incuráveis e envolvendo equipes multidisciplinares, que cuidem não apenas dos desconfortos físicos, mas também dos emocionais.

Partida do Brasil é adeus de estádio que foi a menina dos olhos do Qatar, FSP

 


DOHA (QATAR)

Quem acessa o estádio 974 pela estação de metrô Ras Abu Aboud enxerga a mensagem de boas-vindas pintada em um contêiner.

É a 974ª estrutura metálica usada na construção do estádio 974, a arena que representa toda a mensagem que o Qatar deseja passar ao sediar a Copa do Mundo deste ano.

Ele recebeu sete partidas do torneio. A última foi nesta segunda-feira (5), a vitória por 4 a 1 do Brasil sobre a Coreia do Sul, pelas oitavas de final.

Não foi apenas a despedida do torneio. Foi o derradeiro jogo no local. Única do Mundial que não teve divulgado o custo de construção, a arena será 100% desmantelada a partir de 19 de dezembro, dia seguinte ao término da competição.

É o primeiro estádio desmontável usado na Copa do Mundo.

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Despedida do estádio 974 teve homenagem a Pelé - Gabriela Biló/Folhapress

Para ajudar no marketing do evento, foi divulgada a utilização de 974 contêineres na estrutura. Trata-se do código de discagem direta internacional do Qatar. Desenhado pelo estúdio espanhol Fenwick Irribarren, o estádio tentava passar mensagem de sustentabilidade, modernidade, uso inteligente dos recursos e colaboração com países em desenvolvimento.

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Todos os estádios construídos ou reformados no Qatar tentam passar, na teoria, uma mensagem. Seja referência à cultura ou à história do país. Alguns resultaram em polêmica involuntária. O Al Janoub, em que o teto simula um véu, causou desconforto na organização da Copa porque começou a ser comparado nas redes sociais com a genitália feminina.

O 974 era, para o Supremo Comitê da Entrega e Legado, responsável por realizar o Mundial, a menina dos olhos.

Os contêineres remetem ao porto próximo. O arrojo do desenho é a modernidade do projeto Qatar 2030, um plano para transformar a nação em um polo turístico, mais influente na geopolítica mundial, e acabar com a imagem de território que apenas extrai petróleo e gás natural.

Na onda da sustentabilidade, o país procura mostrar com o 974 que colabora com o meio ambiente. Edifícios e grandes estruturas são responsáveis por 40% das emissões mundiais de dióxido de carbono.

As peças da arena desmontável serão usadas em uma obra de infraestrutura (talvez até um novo estádio) a ser realizada em outro local. Uma das possibilidades é o Uruguai, caso avance a ideia de o país sul-americano se candidatar para abrigar a Copa de 2030. Outra é um país africano.

Todo esse esforço e o gasto de milhões foram por marketing, imagem, geopolítica e para receber sete partidas.

Apesar do pouco uso, a arena causou furor durante a Copa. A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) apresentou reclamação à Fifa (Fededação Internacional de Futebol) por causa do gramado. A entidade concordou que o campo deixou a desejar.

A seleção de Tite não foi a única.

"O campo está muito irregular. A bola fica rápida demais, quica e escapa", queixou-se o volante argentino Alexis Mac Allister.

Contêineres foram a estrutura do estádio 974 - Paul Ellis - 26.nov.22/AFP

Diferentemente dos outros sete estádios usados no Mundial, o 974 não tinha nenhum sistema de refrigeração artificial. Chegou-se à conclusão de que não faria sentido em uma obra a ser desmontada em tão pouco tempo.

A única arena que será preservada integralmente após a competição será o Khalifa International Stadium.

Com uma liga nacional incipiente, o Qatar começou a construção das estruturas para a Copa já com destino certo para os estádios.

Há o que vai se transformar em hotel de luxo (Al Bayt). Outro será reformulado em área com campos menores, clínicas esportivas e diferentes escolas (Lusail). O Cidade da Edução será doado à Universidade do Qatar e usado pela seleção feminina.

Al Janoub ficará como sede do Al Wakrah, time da liga local. O mesmo vale para o Al Rayyan, que será administrado por equipe de mesmo nome. O Al Thumama passará a ser composto por escolas e clínicas esportivas.

Todos, menos o Khalifa, terão a capacidade reduzida ao menos à metade.

Justiça suspende compra de blindados de R$ 5 bilhões do Exército, FSP

 Constança Rezende

BRASÍLIA

O TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) suspendeu a compra de 98 carros blindados italianos que seria feita nesta segunda-feira (5) por R$ 5 bilhões para a renovação da frota do Exército Brasileiro.

A decisão, em caráter liminar, foi assinada pelo juiz federal Wilson Alves de Souza, decorrente de ação popular ajuizada por Charles Capella de Abreu.

O desembargador escreveu que a conduta administrativa do governo pode ser considerada ilegal "em meio a sabidos e consabidos cortes ou contingenciamentos de verbas da educação e da saúde que ultrapassam R$ 3 bilhões".

O Centauro 2, veículo militar blindado vendido pela Iveco-Otomelara e seria comprado pelo Exército brasileiro - Divulgação - 5.dez.22/Iveco-Otomelara

"Neste momento de grave crise financeira demonstrada por tais fatos notórios, comprar 98 viaturas blindadas pelo valor de € 900.000.000,00 (novecentos milhões de euros), atingindo mais de R$ 5 bilhões", disse.

O magistrado ainda criticou a intenção de alcançar o quantitativo de 221 unidades dos veículos "Centauro 2" até o ano de 2037, proposta no edital, sem que haja qualquer necessidade desses equipamentos bélicos, "como se o país estivesse em guerra iminente ou atual".

"Ao que consta a todos, a única guerra que se está a enfrentar nesse momento é a travada contra a Covid-19, que permanece e recrudesce no atual momento —e isso também é fato público e notório—, a exigir mais investimentos em lugar de cortes, exatamente na área da saúde", afirmou.

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Ele acrescentou que, nesse contexto, "vê-se claramente que o ato atacado não atende aos pressupostos de conveniência e oportunidade, pois é evidente a falta de razoabilidade, desvio de finalidade, ilegalidade e até mesmo de elementar bom senso".

"Outra classificação não há quando ao mesmo tempo em que se faz cortes de verbas da educação e da saúde por falta de dinheiro, pretende comprar armas em tempos de paz", escreveu.

A decisão, segundo o magistrado, apenas suspende a contratação com pessoa jurídica de direito internacional para compra imediata de tanques blindados em valores vultosos, "em detrimento de necessários investimentos em áreas sociais".

Na ação, Charles Capella de Abreu havia argumentado que as Forças Armadas possuem uma vasta frota de blindados e que não haveria notícias de que tal patrimônio estivesse inutilizável e nem que seu estado atual implicasse em qualquer risco à soberania nacional.

Ainda defendeu que a compra repercutiria em uma alteração de menos de 5% da frota de blindados do país, "implicando em uma melhoria irrisória para a segurança nacional que não se encontra ameaçada" e em meio a cortes no orçamento.

O governo Jair Bolsonaro (PL) travou o orçamento de áreas sensíveis do Ministério da Saúde para evitar o estouro do teto de gastos. Técnicos da pasta temem corte de pagamentos, dos atendimentos de pacientes e a paralisação de campanhas de comunicação pró-vacina.

Só há R$ 2,4 bilhões para custear todas as despesas discricionárias dos órgãos, o que inclui compra de materiais e pagamento de contratos. Áreas como Saúde, Educação, Meio Ambiente e Justiça estão estranguladas, e algumas atividades estão sendo paralisadas.