sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Marcos de Vasconcellos Com venda da BR, Petrobras rosna, mas não faz dinheiro, FSP

 Ao anunciar a venda de sua fatia da BR Distribuidora, a Petrobras desiste de participar de um mercado lucrativo. E a razão para isso não pode ser simplesmente fazer caixa.

São 37,5% de uma empresa cujo valor de mercado está em R$ 25 bilhões.

Na conta simples, serão R$ 9,4 bilhões a mais no caixa da Petrobras. Como a receita da petroleira em 2019 foi de R$ 302 bilhões, o dinheiro das ações da BR significaria um irrisório incremento de 3%.

Tanto as ações da petroleira como as da distribuidora tiveram desempenho pior que do Ibovespa em 2020.

Posto de combustível da bandeira BR em Perdizes, zona oeste de São Paulo - Rodrigo Capote - 12.mai.11/Folhapress

Mas enquanto a Petrobras teve redução de 17,8% de seu patrimônio líquido nos seis primeiros meses deste ano, a BR terminou o semestre com 11,9% de patrimônio a mais.

A disparidade entre o patrimônio líquido e o preço dos papéis é um dos indicadores de que uma ação está cara ou barata. No caso da BR, os papéis estão bem mais baratos hoje do que no início do ano.

Por que fazer esse anúncio agora, então, uma vez que o movimento já era aguardado desde o ano passado, quando a Petrobras se desfez do controle da empresa?

No pregão desta quinta (27), os papéis da BR (BRDT3) sofreram uma queda leve, de 3,2%. Os papéis da Petrobras (PETR3 e PETR4) praticamente não se alteraram, bem como o Ibovespa. Traduzindo: não foi bom para ninguém.

A decisão, neste momento, parece mais uma rosnada para o Congresso e um aceno leve para o público que entendeu a saída de Salim Mattar da Secretaria de Desestatização como um adeus às privatizações.

Ela foi tomada um mês depois de as Mesas do Senado e da Câmara irem ao Supremo Tribunal Federal contra o que acusaram ser uma estratégia do governo Bolsonaro para privatizar a Petrobras aos pedaços.

As refinarias estariam sendo divididas em subsidiárias da petroleira para serem vendidas a seu bel prazer, uma vez que a venda de subsidiárias de estatais independe de aprovação do Legislativo.

Consultado, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) disse que a venda das refinarias é parte de um acordo para reduzir o monopólio.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) gostou da explicação e pediu que a Casa fosse retirada da ação. O Senado continua na briga.

O autor do questionamento que deu origem ao pedido, Jean Paul Prates (PT-RN), alega que o momento é ruim até mesmo para gerar caixa com a venda das refinarias.

“Em plena pandemia, o mercado de combustíveis está deprimido e incerto. As margens de refino estão muito baixas, o que deprecia o valor”, argumenta Prates.

Agora, enquanto ocupa uma mão nessa queda de braço com o Legislativo, com a outra, a Petrobras joga ao mercado o pedaço que ainda tem da BR Distribuidora.

Como ninguém correu para comprar ações da petroleira nem da sua ex-subsidiária, fica novamente a impressão de movimentação política, desprezando o pragmatismo —em geral, mais apreciado pelo mercado.

Para o investidor, sobram incertezas sobre o funcionamento da BR com a Petrobras totalmente fora do quadro de acionistas e sobre a motivação das decisões da petroleira.​

Marcos de Vasconcellos

Jornalista, empreendedor e fundador do site Monitor do Mercado.

Renda básica universal, Nelson Barbosa, FSP

 O auxílio emergencial de R$ 600 por mês, criado pelo Congresso Nacional, evitou uma recessão mais grave no Brasil.

Considerando os valores já pagos ou previstos, o aumento de renda para os mais pobres será de aproximadamente R$ 250 bilhões (3,6% do PIB) neste ano. Se o auxílio de R$ 600 durar até dezembro, o valor subirá para cerca de R$ 450 bilhões (6,4% do PIB). Tudo isso em apenas um programa, necessário e crucial para atenuar o impacto da pandemia na economia.

A injeção de renda é tão grande que, em vários casos, as famílias beneficiadas ganham mais hoje do que antes da pandemia. Isso confirma quão errada estava nossa economia antes da crise e deveria fazer nós economistas pensarmos se devemos mesmo voltar ao "normal", mas hoje quero falar do significado da renda básica universal.

Auxílio emergencial está sendo pago a informais, desempregados e beneficiários do Bolsa Família - Gabriel Cabral/Folhapress

Até hoje a maioria de nossos programas de transferência de renda compensa o beneficiário por alguma coisa. Pode ser incapacidade de trabalho (benefícios do INSS), perda de emprego (seguro desemprego), salário baixo (abono salarial), pobreza (Bolsa Família), impossibilidade de pescar (seguro defeso) e assim em diante.

O efeito do auxílio emergencial sobre a economia estimulou a mudança de lógica da proteção social, em direção à transferência de renda incondicional, uma renda básica para todos pelo simples fato de a pessoa existir. Em vez de compensação por algo, renda básica se tornaria direito, como saúde e educação públicas.

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Como quase tudo no Brasil, a lei já existe. Ela foi aprovada no governo Lula (Lei 10.835 de 2004), por iniciativa de Eduardo Suplicy e assinatura de Palocci e Ciro Gomes, mas nunca implementada.

Talvez possamos avançar agora por três razões: (1) o impacto positivo do auxílio emergencial na economia aumentou o apoio à renda básica universal, (2) a tecnologia e capacidade produtiva da economia permitem, já há algum tempo, sustentar uma população inativa crescente sem perda de renda per capita e (3) o grau de desigualdade da distribuição de renda e riqueza indica que a renda mínima pode e deve ser financiada por tributação dos mais ricos, sobretudo da renda do capital.

Mas temos consenso político? Aparentemente não, haja vista o debate sobre financiamento da eventual Renda Brasil.

Já apareceram propostas de queimar patrimônio (desinvestimentos ou privatização pelo Estado) e antecipar receitas finitas (renda do petróleo) para pagar o auxílio emergencial por mais tempo. Isso é um equívoco. Pode até ser bem intencionado, mas continua um equívoco.

A eventual criação da renda básica universal requer base permanente de financiamento. Os recursos devem vir de tributação mais progressiva de lucros e dividendos (renda do capital), bem como de altos salários (renda do trabalho).

A reorganização dos atuais programas de transferência de renda pode ajudar no financiamento da renda básica, mas o objetivo do projeto não é simplesmente realocar recursos já existentes entre os mais pobres. O objetivo é que os mais ricos financiem uma renda mínima para todos, via contribuição adicional, daí a dificuldade política da ideia.

E do ponto de vista histórico, a adoção da renda básica seria uma mudança estrutural no capitalismo, pois todos virariam, em parte, rentistas! Todos receberiam parte do "excedente" produzido pela sociedade simplesmente por existirem, independentemente da posse dos "meios de produção". Mas paro por aqui para não assustar nossas lideranças nem-nem que hoje apoiam o fim (ou consagração?) do capitalismo. Voltarei ao assunto em outra coluna.

Nelson Barbosa

Professor da FGV e da UnB, ex-ministro da Fazenda e do Planejamento (2015-2016). É doutor em economia pela New School for Social Research.

Dono da Amazon é primeiro no mundo a alcançar fortuna de US$ 200 bilhões, FSP

 Jeff Bezos, dono da Amazon, é o primeiro bilionário no mundo a alcançar uma fortuna de US$ 200 bilhões. A marca foi atingida nesta quarta-feira (26), após uma valorização de 2% das ações da empresa lhe render um ganho de US$ 4,9 bilhões, segundo a revista "Forbes".

Em reais, Bezos já é trilionário: convertida para a moeda local, a fortuna do executivo ultrapassa o R$ 1,1 trilhão.

A estimativa é que a fortuna do executivo de 56 anos seja hoje de US$ 204,6 bilhões —cifra US$ 90 bilhões à frente da de Bill Gates, segundo homem mais rico do mundo— o que o coloca como a primeira pessoa a deter um quinto de trilhão.

O fundador e presidente-executivo da Amazon, Jeff Bezos, em evento na sede da companhia em Seattle (EUA) - Lindsey Wasson/Reuters - 29.jan.2018

O enriquecimento de Bezos neste ano deriva em grande medida da pandemia, que levou consumidores a migrarem em massa para o comércio virtual. Desde o início do ano, as ações da Amazon valorizaram 80%, segundo a revista americana.

A fatia de 11% da companhia que pertence a Bezos corresponde a mais de 90% de sua fortuna. Além da Amazon, o bilionário é proprietário do jornal "Washington Post" e da empresa aeroespecial Blue Origin, entre outros investimentos.

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A "Forbes" calcula que o empresário seria ainda mais rico se não fosse pelo seu divórcio em julho do ano passado, o mais caro da história. No acordo firmado com sua ex-mulher, MacKenzie Scott, Bezos concordou em ceder 25% de sua participação na Amazon, o que equivale hoje a US$ 63 bilhões.

Scott é atualmente a segunda mulher mais rica do mundo, atrás da herdeira da L'Óreal, Françoise Bettencourt Meyers. No ranking geral, Scott fica em 14º lugar.

Outro bilionário a alcançar um novo patamar na sua fortuna nesta semana foi Mark Zuckerberg, dono do Facebook. As ações da empresa, também impulsionadas pela expansão dos hábitos digitais dos consumidores durante a pandemia, levaram o executivo a ultrapassar o patamar de US$ 100 bilhões na terça (25).

Segundo a "Forbes", nunca houve tantos centibilionários no mundo quanto hoje.