quinta-feira, 9 de abril de 2026

Cármen Lúcia antecipa saída do TSE, e Kassio assume presidência em maio, FSP

 Luísa Martins

Brasília

A presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministra Cármen Lúcia, decidiu antecipar sua saída do cargo, que seria apenas no dia 3 de julho.

A eleição simbólica para a escolha de Kassio Nunes Marques como novo presidente da corte será no próximo dia 14, com cerimônia de posse prevista para maio.

Mulher de cabelos grisalhos veste toga preta com detalhes vermelhos e camisa branca, acompanhada por homem de terno e gravata, ambos em ambiente interno com parede marrom e estrutura de madeira ao lado.
Ministra Cármen Lúcia e ministro Kassio Nunes Marques na sessão do TSE - Gabriela Biló - 12.fev.26/Folhapress

Ao anunciar a decisão, na sessão do TSE desta quinta-feira (9), Cármen afirmou que, se cumprisse todo o mandato, Kassio teria pouco tempo para organizar as eleições gerais de outubro —cerca de cem dias.

"Decidi que, em vez de deixar para o último dia, a sucessão deste tribunal se inicie antes, com os procedimentos para a eleição dos novos dirigentes e o processo de transição", disse a ministra.

A magistrada afirmou que a medida busca "garantir o equilíbrio e a tranquilidade na passagem das funções". Na gestão Kassio, o ministro André Mendonça assume como vice do TSE.

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"Sempre pensei que a mudança de titularidade no TSE, quando ocorre de forma muito próxima [à eleição] compromete a tranquilidade administrativa. É preciso agir sem atropelos e sem afobação", disse ela.


Cármen também usou como justificativa para a saída do TSE "o enorme trabalho" que tem a realizar como ministra do STF (Supremo Tribunal Federal).

Com o início da transição, serão compartilhados com Kassio informações e dados para o planejamento logístico das eleições junto aos TREs (Tribunais Regionais Eleitorais) nos Estados e no Distrito Federal.

Conforme mostrou a Folha, Kassio irá comandar as eleições de 2026 em uma corte ocupada por uma parcela de ministros com quem tem boa relação e que podem reforçar seus poderes durante o mandato.

O magistrado tem afirmado internamente que deseja que sua presidência seja de mínima intervenção do Judiciário em disputas políticas e que sua gestão atuará para distensionar o acirramento político no país.

Nesse aspecto, o estilo deve ser o oposto ao de Alexandre de Moraes nas eleições de 2022. Kassio, porém, também afirma que sua intenção é de que o TSE mantenha vigilância sobre eventuais excessos na campanha eleitoral.

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