No final do ano passado, um grupo de técnicos das secretarias municipais do Verde e do Meio Ambiente e de Relações Internacionais, acompanhado de lideranças comunitárias e empreendedores, visitou a Cratera de Colônia, no distrito de Parelheiros, a 40 km da praça da Sé. O objetivo foi analisar a criação de uma rota turística na região e facilitar a sua inclusão no programa de Geoparques da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).
Já existe hoje o Pnmcc (Parque Natural Municipal da Cratera de Colônia), mas ele é fechado ao público por ser uma área de proteção integral com acesso restrito a pesquisadores. Ele faz parte da APA (Área de Proteção Ambiental) Capivari-Monos. A ideia é abri-lo para visitas monitoradas que passem por pontos como o planetário do CEU Parelheiros, o parque Nascentes Ribeirão Colônia e a Escola de Agroecologia e transformá-lo num patrimônio geológico mundial.
A cratera de Colônia é um dos fenômenos mais intrigantes da cidade. Trata-se de uma das duas únicas, entre as 188 dessas depressões circulares existentes no mundo, que é habitada. A outra está localizada em Ries, na Alemanha. A brasileira foi aberta entre 36 e 5 milhões de anos atrás quando um asteroide ou um cometa se chocou com o solo deixando um buraco de 3,6 km de diâmetro, 53 hectares e 400 metros de profundidade, dos quais 100 metros estão na superfície formando sua borda soerguida. Ela tem um formato arredondado.
Os 300 metros do subsolo foram preenchidos durante milhões de anos por sedimentos e restos de vegetação que hoje estão sendo escavados e são uma importante fonte de estudos sobre as mudanças geológicas em São Paulo, a evolução do clima e da biodiversidade e sobre a própria origem da cratera.
"Estamos mostrando 1,5 milhão de anos da história climática do Brasil que já datamos por vários métodos", diz a pesquisadora do IRD (Instituto Francês de Pesquisa para o Desenvolvimento) Marie-Pierre Ledru, que encontrou microfósseis vegetais nas suas escavações no local. "Com as análises poderemos reconstruir a evolução da mata atlântica."
Ela diz que até agora só foram perfurados 52 metros do subsolo e que ainda não foram encontradas rochas queimadas que comprovariam o choque térmico causado por um corpo celeste. "As únicas hipóteses são que a cratera tenha sido aberta por um asteroide ou um cometa, mas para ter certeza científica seria preciso cavar os 300 metros, o que não foi feito por falta de recursos", afirma.
A cratera de Colônia foi avistada nos anos 1960 por meio de imagens aéreas. Posteriormente, fotos de satélites confirmaram seu formato circular, mas ainda não se sabia do que se tratava. Nessa época, o bairro de Colônia, fundado por alemães há 200 anos, já ocupava uma pequena parte de suas bordas. Mais tarde, entre as décadas de 1980 e 1990, se estabeleceu na região a comunidade de Vargem Grande, com cerca de 45 mil habitantes, que invadiu parte do interior da cratera.
Foi só em 2013 que o geólogo da USP Victor Velázquez Fernandez colheu evidências de que teria havido ali o impacto de um corpo celeste e desde então as pesquisas para entender melhor o fenômeno têm prosseguido.
Uma das formas de chegar ao parque geológico é usando a segunda linha de ônibus mais longa da cidade que vai do terminal Vila Mariana até Parelheiros. Na sequência se percorre outro trecho até Colônia ou Vargem Grande. Estive lá. É uma viagem de duas horas e meia que hoje não permite ver muita coisa. Mas percorrê-la vai valer muito a pena se for criada uma rota turística na cratera, como pretende a prefeitura.



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